Se tem uma coisa que me deixa feliz é experimentar um perfume e ir, com o passar da horas, me apaixonando mais a cada minuto. Hoje chegou na redação uma amostra do Ninfeo Mio, a nova fragrância de Annick Goutal. Adoro as fragrâncias dessa casa francesa, mas abri o frasco meio na pressa. Passei um pouquinho no pulso e continuei a correria. Em poucos minutos, Julie e Helena, cujas mesas estão a pouco mais de cinco metros da minha, queriam saber que cheiro de “mato” era aquele. Levei meu pulso até o nariz das duas e sentimos fruta no meio do “mato” que elas mencionaram. Pouco depois senti flores. Gente, estou apaixonada pelo perfume. É floral, mas é de um frescor. Depois dessa viagem fui ler mais sobre ele, que foi inspirado no lendário jardim das Hespérides (as ninfas que tinham o dom da profecia), que fica em uma propriedade privada perto de Roma, na Itália. No meio desse jardim, corre o rio Ninfeo. Lá, a perfumista Camille Goutal, filha de Annick, sentiu a sua criação. Adoro essas histórias. Na composição há flos de galbanum, folha de figo, lentisco e limão siciliano. O frasco de 50 ml vai custar R$ 310 e chega às lojas em dezembro.
Ando em um momento de profundo encantamento com os perfumes Hermès. Já tive meus dias de Calvin Klein e Kenzo. Aliás, guardo adoráveis memórias olfativas de fragrâncias das duas marcas. Mas Hermès é a mais recente e aconteceu meio sem querer. O primeiro foi o Kelly Calèche (R$ 284, o frasco de 50 ml), que nem é lançamento, há duas semanas. A repórter Luciana Hruby preparava uma devolução. Vi a caixa e fiquei curiosa. Foi amor a primeira aspirada. Não resisti e no ato apliquei nos pulsos. Fiquei o dia inteiro observando as transformações na minha pele. E, a cada fase, me apaixonando ainda mais. Pensei nele por dias seguidos. Hoje o Kelly Calèche é o top na minha lista de desejos.
Semana passada chegou o Voyage d´Hermès aqui na redação. Este, sim, é um lançamento aqui no Brasil. Como já estava com a simpatia pela marca, não quis ler nada a respeito dele e fui direto ao teste. Desta vez borrifei direto na pele (jamais faço isso de primeira). Enlouqueci com aquele cheiro de cardamomo (é a minha especiaria preferida. Se bobear uso até no feijão). A fragrância é de um frescor que chega a dar alegria em uma tarde de calor e faz sonhar com o sol nos dias nebulosos. Só hoje, uma semana depois de usá-lo todos os dias, fui ler mais sobre ele. Turma, é uma fragrância unissex! Confesso que pensei nisso no segundo dia de uso, mas acabei esquecendo. Refletindo melhor, dá tranquilamente para dividir com o marido ou namorado sem que ele fique delicado ou você rude. Bom e como o mundo olfativo não é feito só de cardamomo (sim, as notas estão lá como atestou o meu nariz), Voyage tem ainda limão, gengibre, lavanda, notas florais e amadeiradas. Estão aqui duas fragrâncias que vão entrar para a minha história.
Não resisti em publicar o comentário que minha amiga Erika Kobayashi fez sobre o lançamento comemorativo de Kenzo. Tem coisas que só ela viu. Esta festa a que ela se refere eu vi só video e foi incrível: milhares de papoulas plantadas nessa praça.
“saiu no Brasil!!!! UAU!!!! Fui no lançamento dele na Place des Victoires no ano passado e pirei ::: sempre achei o Flower insuperável, mas a releitura é bem mais sofisticada… meu namorado que reparou no frasco, que lembra uma bainha de espada japonesa, com curvatura e tudo! beijos”
Gostaria de apresentá-la ao Flower by Kenzo Essentielle. È um lançamento que marca as comemorações dos dez anos de Flower by Kenzo, o maior sucesso da marca. Ontem foi a apresentação aqui em São Paulo no ateliê do artista plástico Gustavo Rosa. O lugar é lindo e o jardim ganhou centenas de papoulas (a florzinha gravada no frasco). Antes de sentir a fragrância como ela é, provei separadamente as notas dos três acordes: vibrante, floral e aveludado. O primeiro tem pimenta-preta e pimenta-rosa misturadas ao incenso. Depois vem o acorde floral, formado pela mistura de rosa damascena com jasmim branco. E no fundo do perfume, o aveludado formado por uma composição de três almíscares e baunilha. Falando assim parece loucura, mas se você começar a apurar o seu nariz consegue perceber essas variações. Costumo experimentar um aroma de olhos fechados. Tente. Mas voltando ao nosso lançamento, repare no frasco. É finíssimo e alto. Uma graça!

Reese Witherspoon In Bloom em versão Parfum, Avon (R$ 140, 30 ml)
A Avon está lançando pela primeira vez um Parfum, que é uma fragrância com uma concentração de essências em torno de 15% a 30% e que custam bem mais caros que as outras versões. Só a embalagem do Reese Witherspoon In Bloom já vale o investimento. É linda, não é mesmo? A fragrância, composta por um buquê marcante de jasmim noturno, magnólia e gardênia, me surpreendeu. As três flores são bem marcantes, mas a perfumista Olívia Jan, da Casa de Fragrâncias Robertet, conseguiu deixá-lo leve. E se você já está louca para ter o seu, saiba que a aplicação pede um cuidado especial: use a própria tampa de vidro para aplicar apenas uma gota – e deve ser uma gota mesmo – atrás das orelhas.
Mais um pouco da minha conversa com a perfumista Elisabeth Vidal, da Puig
Quais são os erros mais comuns que as pessoas cometem na hora de usar o perfume?
Imagine uma pessoa tomando banho, ela usa o sabonte que tem um cheiro, o xampu e o condicionador outro. Depois, a loção hidratante, o desodorante e, por último, o perfume. É uma mistura muito grande de aromas. Às vezes isso pode ser desastroso.
Mas o aroma do sabonete, por exemplo, acaba rápido…
É verdade, mas o do xampu dura mais tempo, assim como o desodorante e o da loção cremosa. Por isso eu recomendo que as pessoas usem o hidratante na mesma linha do perfume. Isso é ótimo para fixar o aroma na pele.
Existe uma maneira correta de se aplicar o perfume?
Isso é muito pessoal. Os homens gostam de se perfumar no peito. E as mulheres, entre os seios e, de acordo com a intenção, atrás dos joelhos também. Aplicar a fragrância no pulso é ótimo, pois é uma região de muita circulação e temperatura alta, o que dissipa o aroma. Uma dica para que a fragrância dure mais tempo é aplicá-la nos cabelos.

Elisabeth Vidal, perfumista da Puig
Um pouco da entrevista que fiz com a perfumista espanhola Elisabeth Vidal
Como nascem os perfumes?
É um trabalho que dura, no mínimo, um ano. Tudo começa com o briefing do departamento de marketing, no qual eles explicam como idealizam o novo produto a ser lançado. O pedido de Antonio Banderas Seduction in Black, por exemplo, era de uma fragrância que explorasse a sedução, mas de uma maneira misteriosa, profunda. A partir dessas coordenadas o perfumista começa a criar os acordes de notas com essas características.
Existe moda, tendência no mundo da perfumaria?
Claro que sim. Mas ela muda de maneira um pouco mais lenta em relação às passarelas.
O que está em alta?
Depois dos anos 1990, marcados pelas fragrâncias frescas e transparentes, a perfumaria aposta no valor das matérias-primas com mais ou menos contraste de frescor. A tendência agora é a busca de notas com mais textura, bases florais e ou amadeiradas, a criação de notas gourmand menos açucaradas, mas que criam vínculos.

Antonio Banderas Seduction in Black, Puig (R$ 109, 50 ml)
Para mim os perfumistas são seres mágicos, talvez vindos de outro planeta ou dimensão. Além de terem um olfato apuradíssimo, são capazes de analisar, identificar e memorizar milhares de aromas das mais variadas origens. E depois combiná-los de forma harmônica até transformá-los em perfumes. Na semana passada conversei por mais de uma hora (e teria ficado outras quatro se fosse possível!) com a catalã Elisabeth Vidal. Ela é a perfumista da Puig, uma casa espanhola, e veio ao Brasil para lançar o Antonio Banderas Seduction in Black, uma fragrância masculina feita por ela. A perfumista me apresentou sua última criação de uma maneira diferente. Mostrou-me o perfume decomposto. Primeiro as notas de saída, depois as de corpo e fundo. Foi uma viagem. Começamos com a bergamota italiana, menta e cassis. Em seguida, experimentei as três juntas. Fizemos o mesmo com as de corpo, formadas por coentro, noz-moscada e cardamomo e, por último o âmbar, o musk e o cedro do fundo. Ao sentir esta última comentei com a perfumista que o aroma aqueceu o meu coração e me lembrei da casa de minha avó, mais especificamente do armário onde ela guardava a caixa de pirulitos de chocolate da Kibon (sim, nos anos 1970 eles existiam!) que meu avô comprava para mim. Sinto esta mesma sensação hoje em dia quando vou guardar os copos na casa de minha sogra, que tem um móvel com o mesmo cheiro. Elisabeth nesse momento explicou-me um das tendências da perfumaria. “Essas são as chamadas notas de conforto, aquelas que transportam as pessoas para as boas recordações, e estão em alta”, explicou. Voltamos ao perfume, mas dessa vez no frasco, com todas as centenas de notas já harmonizadas. Aquelas que senti separadamente se transformaram em outra fragrância, difícil reconhecê-las, mas o resultado final é bom. E, segundo a sua criadora, Banderas amou!
Amanhã conto mais da minha conversa sobre perfumes, tendências e criações com Elisabeth.
Very Irrésistible Givenchy Summer Sobert e Very Irréstibile Givenchy Fresh Atitude for Men Summer Sorbet custam R$ 126 cada um
Tenho uma notícia ótima, principalmente para as loucas por perfume. A Givenchy acaba de lançar as edições de verão das fragrâncias Very Irrésistible femina e masculina, chamadas de Summer Sorbet por um precinho daqueles bons, de amigo: R$ 126 cada uma. Isso mesmo, R$ 126. Adorei os dois. O feminino ganhou um acorde de frutas vermelhas com base amadeirada. No coração, rosas e violeta verde. Já a versão dos meninos traz uma novidade: as notas de folhas de tomate. A fragrância, que tem ainda grapefruit e pimenta, é bem refrescante e uma ótima dica para deixar o seu baby-love cheiroso.
Secret Obsession, Calvin Klein (R$ 280, o frasco de 50 ml)
Perfume para mim é um dos assuntos mais fascinantes. Eu adoro as histórias que rondam a criação dos aromas, dos frascos e da importância que eles acabam tendo na vida das pessoas. Esta semana, por exemplo, chegou às lojas brasileiras o Secret Obsession, de Calvin Klein, um lançamento que mexeu comigo. Explico o porquê. Ele é uma versão do Obsession, um aroma que virou uma espécie de “trilha sonora” de uma fase muito legal da minha vida. Apesar de ter sido lançado em 1985, só fui conhecê-lo em 1992. Ganhei o frasco de uma amiga querida, a Susi, que, ao mudar de cidade propôs uma troca de presentes diferentes. Deveríamos dar à outra algo bem pessoal. Entreguei a ela um par de brincos que usei por um ano inteiro e herdei o seu perfume, que virou meu. Quando fui provar o lançamento, que é feito de notas de ameixa exótica e rosas combinadas com jasmim egípcio e flor de laranjeira francesa sobre um fundo de madeira cashmere e sândalo australiano, tive uma grata surpresa. A fragrância é completamente outra, atual, sofisticada, mas a alma daquele meu Obsession está lá (isso é uma característica das boas versões). Por isso, há uma semana convivo com uma sensação de felicidade. De tempos em tempos, tenho lembranças daquela época e, principalmente, da Susi, de quem não tenho notícias há mais de dez anos. Acho que vou descobrir por onde ela anda.
ADRIANA MARMO é jornalista e especialista em beleza. Neste blog, conta novidades, dá dicas e explora esse universo mágico dos comésticos e afins.
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