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Prato do dia


Parece até que já virou tradição eu trocar a folia carnavalesca por horas e horas de diversão entre forno e fogão. Desta vez, decidi preparar um belo salmão que, aliás, pode render um ótimo almoço ou jantar nesta Quarta-feira de Cinzas.

Dispus o peixe com a pele para baixo por cima de duas folhas de couve abertas em uma assadeira. Por cima, azeite, sal grosso, pimenta do reino, um cálice de vinho branco, folhas de sálvia, raminhos de tomilho e folhinhas de alecrim. Ah! Tomates e cebolas picados também. Para fechar o “pacote”, mais uma folha de couve por cima. Depois… Forno médio por cerca de uma hora. Peixe suculento na medida. Saboroso, perfumado. Mas a ideia das folhas de couve não foi boa, não. Apesar de elas não terem afetado em nada o sabor do peixe, ficaram pretinhas da silva e tiveram de ser jogadas fora.

A farofa, que era para ser um mero acompanhamento, acabou roubando a cena… Para prepará-la, derreti uma colher de sopa de margarina na panela. Depois, acrescentei pedaços grandinhos de uma cebola (cortei cada metade da cebola em 8 pedaços). Mexi um pouco e adicionei bastante azeite. Passados mais alguns minutinhos, acrescentei uma colher de sobremesa do azeite de uma pimenta em conserva das brabas e uma taça de vinho branco. Enquanto as cebolas iam cozinhando até ficarem transparentes, reguei, vez ou outra, com “goles” de cerveja. Assim que elas chegaram ao ponto, despejei a farinha de mandioca torrada e me pus a mexer e mexer.  Acertei o sal e finalizei com lascas de amêndoas. Antes de servir o almoço que também contou com uma saladinha de folhas verdes e tomatinhos, larguei um pedacinho de canela em pau descansando por cima da farofa. Ah! Quando fui esquentá-la, dispensei a canela e acrescentei um copo de cerveja para que ela não grudasse na panela.

Tudo muito bom. Comida que alimenta, proporciona um superprazer e não pesa no estômago. Vale investir, adaptar e não apostar em folhas de couve, viu?

PS: como a câmera ficou sem bateria, tive de fazer fotos mais precárias, com o celular… Na próxima receita, prometo caprichar um pouco mais nas imagens. :)

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Publicado em 22.02.2012 às 14:37

Há um ano, dividi por aqui, algumas receitas feitas com abóboras. Engraçado que, quando fui resgatar os links delas hoje, reparei que todas foram postadas em fevereiro. Seria este mês a melhor temporada de abóboras do ano? Ou será que eu é que me lembro das abóboras sempre na mesma data? Não sei… Sei apenas que corri até o Pão de Açúcar mais próximo de casa para resgatar miniabóboras para o jantar da última terça-feira. A minha ideia era preparar algo fácil, leve, rápido e muito gostoso. E acabei superando as minhas próprias expectativas.

Primeiro, cortei fora as tampas das aboborinhas. Retirei as sementes abrindo espaço para o recheio. Em cada uma das abóboras, coloquei um tantinho de leite de coco temperado com flor de sal com manjericão e açafrão em pó. Daí incluí os shiitakes picadinhos e os shimejis. Reguei com um fio de azeite trufado, salpiquei pimenta-do-reino e acrescentei mais um fio de azeite extra virgem. Para arrematar, folhinhas de lavanda secas. Daí fechei-as com suas respectivas tampas. Embrulhei as pequenas em papel e alumínio e levei-as ao forno em baixa temperatura (acho que por cerca de uns 40 minutos).

Enquanto elas assavam, derreti uma lasquinha de manteiga na panela para refogar os cogumelos que não couberam dentro das pequenas abóboras. Acrescentei um pouquinho de cerveja e deixei que eles cozinhassem até o ponto ideal.

Aproveitei então para montar a salada: folhas de alface crespa mal rasgadas + estrelinhas de carambola cortadas finamente e tomatinhos. O trunfo da salada ficou a cargo do molho. Uma invenção, um insight, que veio do nada e que, a partir de agora, será para sempre lembrado. Despejei o que sobrou do leite de coco usado no recheio das abóboras em uma vasilha. Acrescentei um bocado de um ótimo curry indiano em pó. Mexi bastante. Daí adicionei um pouco do mix de temperos para saladas da Cia. das Ervas. Acertei o sal e incluí gotinhas de vinagre balsâmico.

Resultado? Uma profusão de hummms invadindo a sala da minha casa. Sucesso absoluto, pouca sujeira e zero cansaço na cozinha.

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Publicado em 17.02.2012 às 18:19

A coisa mais óbvia a se fazer com um restinho de lombo assado é comê-lo com pão ou pão de queijo. Eu prefiro a segunda opção e, a ela, costumo acrescentar até mesmo um pouco de maionese. Mas como eu também estava com vontade de devorar as berinjelinhas italianas que dormiam dentro da geladeira, decidi inovar.

Enquanto o arroz branco cozinhava na panela normalmente, desfiei o que havia sobrado do lombo. Quando o arroz estava quase pronto, dispus a carne por cima dele e deixei a panela parcialmente tampada.

Em outra panela, coloquei as berinjelinhas partidas ao meio. Passado um minutinho, reguei-as com azeite. Virei-as. E completei com meio copo de cerveja e várias folhinhas de sálvia secas. As berinjelas ficaram crocantes por fora, macias por dentro…

O arroz, cozido, soltinho, mas molhadinho também. Mexi-o com delicadeza e coloquei-o em uma travessa. Por cima dele, as berinjelas. E, por cima de tudo, o trunfo final: caldinho de cerveja da panela. E não sobrou um mísero grão pra contar história de tão bom que ficou.

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Publicado em 01.02.2012 às 15:42

Depois do furacão das semanas de moda, nada mais gostoso que reunir os amigos em casa para um almoço que vira jantar, lanche e até almoço do dia seguinte. Para curtir as pessoas de verdade, conversar sobre tudo o que não diz respeito ao trabalho… Relaxar. E como para mim o cardápio também tem de ser “terapêutico”, comprei um lombo daqueles temperados (carne de porco sempre me deixa feliz por causa do gostinho de infância), cogumelos (eles quase nunca ficam de fora dos meus menus) e massa de pastel (para o momento lúdico da cozinheira de plantão).

Acendi o forno na temperatura mais baixinha. Desamarrei o lombo e coloquei-o na assadeira com um pouco de vinho tinto. Cobri com papel alumínio. Na medida em que o vinho ia secando, eu ia acrescentando mais um pouco da bebida. E foi assim por umas quase seis horas a fio. Cozinhando a carne bem devagar. Nos finalmente, depois de uma garrafa de vinho inteira no lombo, parti algumas cebolas pequenas ao meio e coloquei-as por cima dele. Elas caramelizaram.

Mas não que eu tenha ficado parada, vendo o tempo passar… Enquanto o lombo assava, temperei uma bandejinha de cogumelos frescos picados com alho, salsinha, cebolinha, shoyo e azeite. Depois, usei essa mistura como recheio para pasteizinhos assados. Sim, eles serviram como acompanhamento para a carne. Assim como uma salada de belas folhas de alface. E só!

Na hora da sobremesa, um clássico. Brigadeiro feito na panela com chocolate do padre, pouquíssima manteiga e no ponto ideal para boas colheradas coletivas. Tudo isso com direito a muito vinho nas taças, prosa boa, risadas mil.

Não sei se as pessoas tanto elogiaram porque realmente gostam de mim ou porque estavam famintas. Mas eu prefiro acreditar que foi porque o assado ficou no ponto ideal – desfiando, mas sem desmanchar.

Amanhã volto para contar em que transformei o lombo no dia seguinte para um outro almoço. Tão ou mais gostoso que o primeiro. Porque na cozinha, tudo se cria, se copia, se transforma… E pode ficar realmente bom.

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Publicado em 31.01.2012 às 18:49

Toda vez que eu me deparo com uma lata bonita, me lembro da infância na casa da vovó. Ela sempre guardou tudo em latas. As mais bonitas ficavam “escondidas” no armário da porta de espelho e eram recheadas com amanteigados, chocolates e balas Chita. Eu abria a tal porta com cuidado. Olhava para todas as latas. Ficava na ponta dos pés. E ia abrindo uma por uma. Devagarzinho. Tentando não fazer barulho enquanto descobria as surpresas que vóvis escondia. O tal do “chicotinho queimado”.

As outras latas, mais convencionais e sem “gravuras”, abrigavam os mantimentos na despensa – quartinho mais escuro da casa porque eu não alcançava o apagador para acender a luz – onde havia uma lata especial, a maior delas, bem grande, enorme, quase do meu tamanho naquela época. A lata dos biscoitões. Preparados com polvilho e muitos ovos, eles eram assados naquela cozinha grandona onde eu gostava de brincar, duas vezes por semana, religiosamente. Uma receita antiga.

Minha bisa adorava. Minha avó também. Eu e meus irmãos… Nem se fala! Valia comer os biscoitos puros. Ou recheá-los com patê de frango (uma das especialidades mais apimentadas do repertório gastronômico da vovó). Eu também gostava de comê-los com maionese… Não importava. Biscoitões eram mágicos.

É… Escrevendo este post que inicialmente seria apenas um elogio à lata pintada à mão que encontrei durante um garimpo virtual na Gift Express, descobri que realmente preciso resgatar a receita dos biscoitões da vovó. Descobri também que aprendi a gostar de latas há muitos anos. Talvez seja por isso que eu adore as lindas latinhas que minha mãe decorou com tecidos fofos para mim. Latinhas do “chicotinho queimado” da minha casa – onde moram meus bombons preferidos. Aqueles que ataco quando preciso de um pouco mais de calma e de pitadas de açúcar na alma.

Para saber tudo sobre a latinha que ilustra este post, clique aqui. Você pode comprá-la sem ao menos sair de casa.

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Publicado em 06.01.2012 às 17:27
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Bruna Bauer

Bruna Bauer é editora dos sites de ELLE, ESTILO, MANEQUIM e MODASPOT e cozinha desde criança. Aqui, divide, diariamente, suas descobertas, dicas, receitas e inspirações gastronômicas.
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