Depois do furacão das semanas de moda, nada mais gostoso que reunir os amigos em casa para um almoço que vira jantar, lanche e até almoço do dia seguinte. Para curtir as pessoas de verdade, conversar sobre tudo o que não diz respeito ao trabalho… Relaxar. E como para mim o cardápio também tem de ser “terapêutico”, comprei um lombo daqueles temperados (carne de porco sempre me deixa feliz por causa do gostinho de infância), cogumelos (eles quase nunca ficam de fora dos meus menus) e massa de pastel (para o momento lúdico da cozinheira de plantão).
Acendi o forno na temperatura mais baixinha. Desamarrei o lombo e coloquei-o na assadeira com um pouco de vinho tinto. Cobri com papel alumínio. Na medida em que o vinho ia secando, eu ia acrescentando mais um pouco da bebida. E foi assim por umas quase seis horas a fio. Cozinhando a carne bem devagar. Nos finalmente, depois de uma garrafa de vinho inteira no lombo, parti algumas cebolas pequenas ao meio e coloquei-as por cima dele. Elas caramelizaram.
Mas não que eu tenha ficado parada, vendo o tempo passar… Enquanto o lombo assava, temperei uma bandejinha de cogumelos frescos picados com alho, salsinha, cebolinha, shoyo e azeite. Depois, usei essa mistura como recheio para pasteizinhos assados. Sim, eles serviram como acompanhamento para a carne. Assim como uma salada de belas folhas de alface. E só!
Na hora da sobremesa, um clássico. Brigadeiro feito na panela com chocolate do padre, pouquíssima manteiga e no ponto ideal para boas colheradas coletivas. Tudo isso com direito a muito vinho nas taças, prosa boa, risadas mil.
Não sei se as pessoas tanto elogiaram porque realmente gostam de mim ou porque estavam famintas. Mas eu prefiro acreditar que foi porque o assado ficou no ponto ideal – desfiando, mas sem desmanchar.
Amanhã volto para contar em que transformei o lombo no dia seguinte para um outro almoço. Tão ou mais gostoso que o primeiro. Porque na cozinha, tudo se cria, se copia, se transforma… E pode ficar realmente bom.
Toda vez que eu me deparo com uma lata bonita, me lembro da infância na casa da vovó. Ela sempre guardou tudo em latas. As mais bonitas ficavam “escondidas” no armário da porta de espelho e eram recheadas com amanteigados, chocolates e balas Chita. Eu abria a tal porta com cuidado. Olhava para todas as latas. Ficava na ponta dos pés. E ia abrindo uma por uma. Devagarzinho. Tentando não fazer barulho enquanto descobria as surpresas que vóvis escondia. O tal do “chicotinho queimado”.
As outras latas, mais convencionais e sem “gravuras”, abrigavam os mantimentos na despensa – quartinho mais escuro da casa porque eu não alcançava o apagador para acender a luz – onde havia uma lata especial, a maior delas, bem grande, enorme, quase do meu tamanho naquela época. A lata dos biscoitões. Preparados com polvilho e muitos ovos, eles eram assados naquela cozinha grandona onde eu gostava de brincar, duas vezes por semana, religiosamente. Uma receita antiga.
Minha bisa adorava. Minha avó também. Eu e meus irmãos… Nem se fala! Valia comer os biscoitos puros. Ou recheá-los com patê de frango (uma das especialidades mais apimentadas do repertório gastronômico da vovó). Eu também gostava de comê-los com maionese… Não importava. Biscoitões eram mágicos.
É… Escrevendo este post que inicialmente seria apenas um elogio à lata pintada à mão que encontrei durante um garimpo virtual na Gift Express, descobri que realmente preciso resgatar a receita dos biscoitões da vovó. Descobri também que aprendi a gostar de latas há muitos anos. Talvez seja por isso que eu adore as lindas latinhas que minha mãe decorou com tecidos fofos para mim. Latinhas do “chicotinho queimado” da minha casa – onde moram meus bombons preferidos. Aqueles que ataco quando preciso de um pouco mais de calma e de pitadas de açúcar na alma.
Para saber tudo sobre a latinha que ilustra este post, clique aqui. Você pode comprá-la sem ao menos sair de casa.
Nessa terça-feira, 3 de janeiro, mostrei aqui uma boa ideia para a sobremesa do próximo dia 6 de janeiro. Hoje, voltei para dar uma sugestão de drink – que, aliás, pode servir como uma ótima desculpa para quem quer, além de fazer a simpatia de Reis, brindar o ano que acaba de chegar enquanto desmonta o presépio e a árvore de Natal.
Inventei esse drink delícia num fim de tarde, assistindo ao pôr do sol no alto da montanha enquanto colocava a conversa em dia com a mamãe. A tarde rendeu, o sol se foi e a noite continuou animada.
Primeiro, debulhei as romãs. Dispus um punhado delas em um copo longo. Macerei levemente. Acrescentei um pouco de suco de cranberry. Coloquei bastante gelo por cima. Derramei um tanto de vodca – uma dose e meia mais ou menos. Pedi que minha mãe descolasse algumas folhinhas de hortelã na horta dela. Salpiquei as verdinhas no drink e misturei bem com uma colher bailarina. Para adoçar, acrescentei uma colher de chá de mel. Recomendo muito!
Dizem que romãs trazem sorte para o ano novo. Superstições à parte, as tais sementinhas são mesmo muito gostosas. Assistindo ao programa da Nigella na véspera do Natal, minha mãe decidiu se aventurar em uma receitinha simples que a chef ensinou na TV. Para isso, pediu que eu e o meu pai debulhássemos cerca de quatro romãs – separando as sementes sem deixar vestígio das cascas. Feito crianças, obedecemos a ela.
Eu não encontrei a receita com as medidas exatas no site do GNT, mas ela é fácil e simples. Do tipo que dá para fazer no olhômetro mesmo. Basta misturar um bom creme de chantilly a suspiros toscamente quebrados e, na sequência, incluir as sementinhas das romãs, mexendo sutilmente. Depois é só deixar por uma horinha na geladeira e, na hora de servir, decorar a sobremesa com sementinhas levemente apertadas com a mão. Isso mesmo: o suco da fruta serve como uma espécie de calda.
Um doce leve, descomplicado e que agradou muito. Perfeito para ser servido após uma refeição mais pesada ou mesmo em um dia muito quente, quando todos querem adoçar as ideias sem sentir um certo peso na consciência. Fácil e auspicioso!
Bruna Bauer é editora dos sites de ELLE, ESTILO, MANEQUIM e MODASPOT e cozinha desde criança. Aqui, divide, diariamente, suas descobertas, dicas, receitas e inspirações gastronômicas.
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