Dizem que romãs trazem sorte para o ano novo. Superstições à parte, as tais sementinhas são mesmo muito gostosas. Assistindo ao programa da Nigella na véspera do Natal, minha mãe decidiu se aventurar em uma receitinha simples que a chef ensinou na TV. Para isso, pediu que eu e o meu pai debulhássemos cerca de quatro romãs – separando as sementes sem deixar vestígio das cascas. Feito crianças, obedecemos a ela.
Eu não encontrei a receita com as medidas exatas no site do GNT, mas ela é fácil e simples. Do tipo que dá para fazer no olhômetro mesmo. Basta misturar um bom creme de chantilly a suspiros toscamente quebrados e, na sequência, incluir as sementinhas das romãs, mexendo sutilmente. Depois é só deixar por uma horinha na geladeira e, na hora de servir, decorar a sobremesa com sementinhas levemente apertadas com a mão. Isso mesmo: o suco da fruta serve como uma espécie de calda.
Um doce leve, descomplicado e que agradou muito. Perfeito para ser servido após uma refeição mais pesada ou mesmo em um dia muito quente, quando todos querem adoçar as ideias sem sentir um certo peso na consciência. Fácil e auspicioso!
Um belo dia eu estava descendo a rua para ir à feira quando a Luiza – minha melhor amiga da vida e expert no preparo de sobremesas – começou a me contar por telefone sobre um tal crumble maravilhoso de maçã que a Lica, superamiga dela, tinha servido dias antes. No ato, fiz com que ela me prometesse vir a São Paulo preparar um desses chez moi. Pois ela topou e me mandou a lista de compras por e-mail. Uns 20 dias depois, eu, obediente que sou, comprei tudo direitinho. Ou melhor, quase tudo…
Luiza já estava instalada na minha casinha. Acordamos cedinho para deixar tudo em ordem já que, por causa do doce e da vista dela, tínhamos convidado boas amigas para um almoço só para meninas. E foi quando eu estava a selar o lombo (pedido da Mari… depois posto a receita por aqui), que ouvi um: “Bruna, onde está o açúcar refinado?”.
Ui, ui, ui! Eu havia sublimado esse ingrediente da receita porque ele é raramente usado por mim. Quase desesperada e morrendo de rir ao mesmo tempo, decidi fazer do meu lapso um motivo de interação. Atravessei o corredor do andar e bati na porta da dona Celma, vizinha supersimpática com quem, até então, eu nunca tinha estabelecido nenhuma conversa que ultrapassasse as veredas do bom e velho papo de elevador.
Fato é que a dona Celma adorou me ver segurando uma xícara na porta da casa dela. Foi gentil, adorável. Depois ainda bateu campainha no meu apartamento com mais um tantinho de açúcar – para caso eu precisasse. Fofa! Sim, ela se tornou a minha mais nova amiga de infância, ou seria avó postiça? Retribuí a gentileza dela com um pedaço do doce que, por sinal, ficou maravilhoso!
E, agora, toda vez que a encontro, não falo apenas sobre a temperatura, a chuva, o frio, o barulho do elevador. Troco dicas culinárias… Ela me adora. Eu adoro ela. E até a minha mãe já ouviu da boca da dona Celma elogios sobre o tal crumble de maçã da Lica que a Luiza fez.
Se quiser testar, teste porque a receita é boa. O segredinho? Pedir uma xícara de açúcar na casa da vizinha. É infalível, viu?
Ingredientes:
- 1/2 xícara de farinha de trigo
- 1/2 xícara de farinha de trigo integral
- 1/2 xícara de açúcar refinada
- 1/2 xícara de açúcar demerara
- 8 colheres rasas de manteiga sem sal na temperatura ambiente
- 1 colher de sopa de canela
- Noz moscada (uma pitada)
- Castanha do pará picadinha (o tanto que quiser, e é opcional)
- 4 maçãs fuji grandes ou 5, 6 pequenas
Esse frio de São Paulo me faz ter mil e uma vontades diferentes. Desejos súbitos especialmente de tudo o que leva chocolate. Pois eu estava há dias querendo muito tomar um cremoso chocolate quente (do tipo grossinho mas sem ter sido engrossado com amido de milho – sim, rola um preconceito) na minha canequinha esmaltada, vestindo um moletom bem grandão, meias felpudas e com as pernas dobradas feito de índio cobertas pela matinha azul mais cheirosa e adorada do mundo.
Eis que, na segunda-feira à noite, 22, decidi me render a esse pequeno luxo (ou seria mais propício chamá-lo de minipecado capital?). Corri para o fogão e, na minha nova panela preferida, despejei uma xícara e meia de chocolate em pó (aquele do padre). Fiquei mexendo pra lá e pra cá para ver se ele derretia… Mas como não derreteu, logo acrescentei mais ou menos 250 ml de leite integral. Mexi mais e mais e mais ainda… Temperei com duas pitadas de páprica doce, duas gotinhas de essência de baunilha, um pauzinho de canela e… Mexi mais e mais e mais ainda até que o caldo engrossou e enormes borbulhas começaram a explodir diante dos meus olhos. Para completar e dar um toque final, derramei um gole de Cointreau, misturei, apaguei o fogo e tratei de me transportar para o cenário imaginado e descrito acima.
Foi delicioso como um abraço apertado da mamãe.
PS: a bateria da minha câmera acabou no minuto exato em que fui fotografar o resultado final. Por isso, para ilustrar este post, tive de publicar essa foto “mais ou menos” clicada com o celular. Sorry!
No meu aniversário, fui presenteada com o livro Na Cozinha com Carolina. Bem editado e recheado com uma série de receitas com as quais me identifico – os ingredientes que ela costuma usar são frequentadores assíduos da minha geladeira – faltava apenas eu começar a me aventurar.
O problema? Sou péssima em seguir receitas. Gosto mesmo é de inventá-las. Prefiro abrir a geladeira e inventar minhas modas culinárias. Mas eu estava sedenta por um bolo de chocolate diferente. E, entre todas as receitas dos livros que tenho em casa, optei pelo bolo de chocolate da atriz. É que ele me chamou atenção por não conter farinha de trigo entre os ingredientes.
Claro que, no meio do caminho, acabei fazendo uma adaptação. Abaixo, a receita como ela é. E, na sequência, os meus toques pessoais.
Limão capeta, para quem não conhece, é esse limão alaranjado com casca de aspecto meio detonado. Seguido do siciliano, ele é o meu preferido.
Não é fácil encontrar esses encapetados nos mercados. Mas como eu sou uma pessoa de sorte, posso contar com os generosos pacotes que minha mãe me envia. É que no quintal da casa dela há um pé de limão capeta que sempre nos alegra com bons frutos, principalmente nesta época mais fria do ano.
Além do monte de limões me aguardava na geladeira, eu queria muito estrear dois presentes: o espremedor (aqueles bem à moda antiga) que minha amiga Tetê garimpou na feira para mim e os ramekins que a Rê me deu de aniversário.
Diante das minhas três escolhas, decidi fazer um suflê. Bati 4 claras em neve, acrescentei uma colher de sopa de açúcar para cada uma delas e acrescentei ¾ de copo de suco de limão coado. Bati mais e, para finalizar – e tirar um pouco da acidez – juntei mais 4 ou 5 colheres de sopa de creme de leite. Bati a mistura um pouco mais e dispus tudo em seis ramekins. Levei ao forno quente em banho maria por meia hora. Desliguei o forno e, sem abri-lo, deixei que os suflês esfriassem lá dentro. Depois de uma hora, coloquei-os na geladeira. No dia seguinte eu receberia visitas em casa, mas como a receita tinha acabado de ser inventada, achei melhor prová-la. O resultado ficou um pouco ácido demais. Perfeito para o meu paladar, mas não agradaria minhas amigas. A solução? Planejei derreter 100g de chocolate 70% cacau em banho maria e temperá-lo com um pouco de licor de laranja e duas colheres de sopa de creme de leite para arrematar a sobremesa pouco antes de servi-la.
Pois o plano funcionou e elas ainda estão comentando sobre o quanto gostaram do tal docinho que, por pouco, não ficou muito azedo!
Bruna Bauer é editora dos sites de ELLE, ESTILO, MANEQUIM e MODASPOT e cozinha desde criança. Aqui, divide, diariamente, suas descobertas, dicas, receitas e inspirações gastronômicas.
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