Alguns acompanhamentos são mesmo inseparáveis de alguns pratos. E é esse o caso da farofa com o lombo. Um casamento perfeito. O lombo é complicado, passa horas no fogo, precisa de muito tempo para ficar pronto. É quente, molhado, ultratemperado… Já a farofa, ah!, ela é pura efemeridade. Fácil, rápida, prática e crocante. Pois para acompanhar esse lombo aqui, inventei uma receita sem querer. Joguei um pouco mais que 100g de manteiga na panela e deixei que ela derretesse. Acrescentei um dente de alho em lâminas e um bocado de farinha (uma farinha especial e nada parecida com essas que compramos no mercado). Na sequência, incluí seis ovos caipiras fresquinhos da fazenda batidos com o fouet (como se fosse para um omelete) temperados com salsinha picadinha. A princípio, não mexi. Deixei que os ovos cozinhassem um pouco. Coisa de dois minutos no máximo. Daí mexi bastante.
Senti que estava faltando algo. Um up. Um tchan. Um… Gostinho doce. O problema é que não havia nenhuma uva passa no armário da cozinha. Então, resolvi abrir a geladeira em busca de algo inspirador. Me deparei com uvas fresquinhas, lavadas. Daí piquei várias delas em rodelinhas e consegui arrematar a minha farofa.
Acho que foi uma das melhores ideias que tive nos últimos tempos. E, depois desse episódio, lá em casa, nunca mais usei bananas nas farofas. Troquei-as por uvas, frutinha cheia de propriedades antioxidantes. Leve.
Ninguém faz um lombo melhor que o com molho de tomates da minha avó. Ninguém no mundo! E é por isso que eu nem ouso tentar reproduzi-lo. Mas claro que, como boa mineira que sou, adoro inventar modinhas com lombos que passam horas a fio suando e cozinhando na panela… Prefiro assim a me arrepender de não alcançar o mágico sabor incomparável da receita da vovó.
Pois como a Mari havia me encomendando um lombo para o almoço das amigas dias atrás, comprei uma peça já temperada, selei-a (inteira) em minha nova caçarola e, para que ela cozinhasse bem gostosa, acrescentei duas cebolas grosseiramente picadas, três pimentas dedo de moça inteiras e uns quatro dentes de alho. Daí, despejei uma longneck de cerveja e tampei. De vez em quando, eu ia lá virar a carne.
Quando o caldo começou a secar, acrescentei outra longneck. E assim fui fazendo por duas horas e meia. Passado esse tempo, cortei a carne em tiras grossas (bifões mesmo) e deixei que elas cozinhassem por mais umas duas horas. Tudo no fogo baixo. Devagar e sempre.
E, apesar de muito diferente da receita tradicional da família, todo mundo que provou amou. Recomendo para quem gosta de cozinhar devagar, ouvindo música, bebericando uma cerveja gelada e aproveitando o tempo de cozimento da carne para ajeitar a mesa, dispor flores novinhas nos vasos e preparar a sobremesa.
Um belo dia eu estava descendo a rua para ir à feira quando a Luiza – minha melhor amiga da vida e expert no preparo de sobremesas – começou a me contar por telefone sobre um tal crumble maravilhoso de maçã que a Lica, superamiga dela, tinha servido dias antes. No ato, fiz com que ela me prometesse vir a São Paulo preparar um desses chez moi. Pois ela topou e me mandou a lista de compras por e-mail. Uns 20 dias depois, eu, obediente que sou, comprei tudo direitinho. Ou melhor, quase tudo…
Luiza já estava instalada na minha casinha. Acordamos cedinho para deixar tudo em ordem já que, por causa do doce e da vista dela, tínhamos convidado boas amigas para um almoço só para meninas. E foi quando eu estava a selar o lombo (pedido da Mari… depois posto a receita por aqui), que ouvi um: “Bruna, onde está o açúcar refinado?”.
Ui, ui, ui! Eu havia sublimado esse ingrediente da receita porque ele é raramente usado por mim. Quase desesperada e morrendo de rir ao mesmo tempo, decidi fazer do meu lapso um motivo de interação. Atravessei o corredor do andar e bati na porta da dona Celma, vizinha supersimpática com quem, até então, eu nunca tinha estabelecido nenhuma conversa que ultrapassasse as veredas do bom e velho papo de elevador.
Fato é que a dona Celma adorou me ver segurando uma xícara na porta da casa dela. Foi gentil, adorável. Depois ainda bateu campainha no meu apartamento com mais um tantinho de açúcar – para caso eu precisasse. Fofa! Sim, ela se tornou a minha mais nova amiga de infância, ou seria avó postiça? Retribuí a gentileza dela com um pedaço do doce que, por sinal, ficou maravilhoso!
E, agora, toda vez que a encontro, não falo apenas sobre a temperatura, a chuva, o frio, o barulho do elevador. Troco dicas culinárias… Ela me adora. Eu adoro ela. E até a minha mãe já ouviu da boca da dona Celma elogios sobre o tal crumble de maçã da Lica que a Luiza fez.
Se quiser testar, teste porque a receita é boa. O segredinho? Pedir uma xícara de açúcar na casa da vizinha. É infalível, viu?
Ingredientes:
- 1/2 xícara de farinha de trigo
- 1/2 xícara de farinha de trigo integral
- 1/2 xícara de açúcar refinada
- 1/2 xícara de açúcar demerara
- 8 colheres rasas de manteiga sem sal na temperatura ambiente
- 1 colher de sopa de canela
- Noz moscada (uma pitada)
- Castanha do pará picadinha (o tanto que quiser, e é opcional)
- 4 maçãs fuji grandes ou 5, 6 pequenas
Na minha opinião, salpicões costumam ser complicados. Às vezes, são molhados demais. Outras, de menos. Quando a batata fica murcha não há nada que se possa fazer. Maionese em excesso pode ser um pecado. Enfim, a receita precisa ser das boas. E, claro, sem mistérios. Pois ontem à noite, aprendi uma bem fácil e muito saborosa com as meninas do Clube do Picadinho. Quem nos ensinou o caminho das pedras foi a tia Branca, mãe da Tetê. Mas a gente acabou preparando tudo no “olhômetro” mesmo. E deu certo.
Compramos um frango defumado da Sadia que, por alguns minutos – deve ter sido uns 10 –, ficou no forno médio. Eu não sabia, mas esse truque facilita a retirada da pele dele. Com um garfo, rapidamente consegui me livrar de toda a pele. Daí, colocamos as mãos na massa… ou melhor, no frango, e desfiamos em pedaços grandinhos.
Em um bowl, colocamos mais ou menos ½ abacaxi e 2 e ½ maçãs em cubinhos. Reservamos. Em outra vasilha, misturamos uma lata de milho verde ao frango e algumas colheres de sopa, acho que três, de maionese light. Na sequência, misturamos o frango às frutas. Temperamos com uma pitada de salsinha picada e pimenta-do-reino. E, nos pratos, decoramos a receita com batata palha. Só mesmo para enfeitar e dar uma crocância especial. Delícia!
Há alguns minutos, minha querida editora chefe, Eliana Sanches, me passou esse link da I-Stick, com vários adesivos de parede para alegrar a copa e a cozinha. Nós duas amamos os pinguins de geladeira. Eu também adorei a receita do Martini. E você?
Os adesivos estão à venda aqui e custam entre R$ 109 e 279.
Bruna Bauer é editora dos sites de ELLE, ESTILO, MANEQUIM e MODASPOT e cozinha desde criança. Aqui, divide, diariamente, suas descobertas, dicas, receitas e inspirações gastronômicas.
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