Mão na Massa

Nos bastidores da moda, modelistas e costureiras transformam ideias em roupas

Constança Tatsch

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Vestido com moldes feitos por Sônia Duarte durante desfile da grife Filhas de Gaia, no Fashion Rio, Verão 2010. Crédito: Agência Fotosite

Entre a criação do estilista e a passarela existe um longo caminho trilhado pelos profissionais que fazem uma ideia se transformar em uma peça de roupa.
Depois de o estilista pesquisar e desenhar a peça entra em cena o modelista. Junto com o desenho, ele recebe as informações técnicas, como o comprimento e a amostra do tecido, e tem a tarefa de transformar esses dados em realidade. “O modelista estuda aquela roupa e faz um pré-projeto de modelagem”, diz a modelista Sônia Duarte, que mantém um blog sobre o assunto no site da Manequim. O pré-projeto é um estudo no qual são decididos aspectos como a técnica de modelagem, tipos de acabamento, tipos de fecho, quantos botões, largura dos bolsos, dos punhos, se o tecido vai ser enviesado ou não e uma série de outros detalhes fundamentais para a construção da roupa.

Para fazer os moldes, esse profissional pode usar diferentes técnicas. As principais são: modelagem plana (desenvolve o modelo sobre os contornos do corpo num papel), tridimensional (ou moulage, que consiste em moldar o tecido num manequim ou modelo) e digital (na qual você cria modelos básicos usando programas de computador).
Com os moldes prontos, o cortador corta os tecidos e passa para a piloteira (ou pilotista). Ela costura esse primeiro modelo inteiro do jeito que a modelista e o estilista imaginaram. Com a peça pronta, o estilista faz os retoques na sua criação: aumenta o decote e coloca mais volume na saia, por exemplo. A modelista adapta e a piloteira faz de novo. Até que a roupa seja aprovada. “Em época de lançamento de coleção a piloteira trabalha muito. Costurar a roupa assim é demorado porque é ela quem faz a peça inteirinha. Depois, quando é feita em série, com várias costureiras, o tempo de produção cai bastante”, diz Sonia.

Dona Lúcia (a segunda à esquerda) e a equipe de modelagem da Colcci.

Na fábrica da Colcci, em Santa Catarina, o sistema funciona em ritmo acelerado. A chefe de modelagem, Lúcia Salvador, comanda uma equipe de 44 pessoas, sem contar piloteiras e costureiras. Trabalhando como modelista há 30 anos, ela adora fazer a moulage e ver as peças prontas. A parte ruim é preparar tabelas de medidas, avaliar o consumo de aviamentos e outras burocracias. "É mais engenharia de produto, mas a modelista também tem que cuidar desse setor”, explica.


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