Mão na Massa

Constança Tatsch

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A falta de bons profissionais

“Essa peça tem movimento graças a uma geometria de modelagem que aliada à fluidez da malha simula enormes bolsos laterais”, diz Raquel Davidowicz, da UMA. Crédito: Agência Fotosite

A percepção das professoras é confirmada por quem já está no mercado. “Eu recebo 800 mil currículos de jovens que querem fazer estilo. Para eles, a parte técnica acaba ficando em segundo plano. Acham que ser estilista é fazer desfile e aparecer na mídia”, diz Raquel Davidowicz, estilista e dona da grife UMA. Ela conta que faltam no mercado bons modelistas e piloteiras. “E o trabalho deles é super importante porque eles tiram do papel o que a gente cria”, completa. Segundo Raquel, fazer modelagem exige muita experiência. “O recém-formado precisa acompanhar um modelista experiente por pelo menos um ano porque tem coisas que só mesmo vendo in loco.”

Os bons profissionais têm reconhecimento. “Eles não estão inseridos no lado glamouroso da mídia, mas o meio sabe. Quem tem um bom modelista não quer perder. Tem estilistas de montão ganhando R$ 2 mil. Mas alguns profissionais de modelagem chegam a ganhar R$ 7 mil ou até R$ 10 mil”, diz Renato Shibukawa, que dirige o evento Senac Moda Informação e gerencia a coordenação de coleções para um grande magazine.

Roberto Marques, modelista da MANEQUIM que trabalha no ramo há mais de 40 anos, concorda. “Tem um ótimo mercado e poucos modelistas de qualidade. Se você trabalhar, pesquisar, vai conseguir um bom emprego, com um bom salário”, diz. Renato completa: “No varejo popular o modelista é fundamental porque oferecemos peças com alta produção em série. É preciso acertar muito na modelagem porque pegamos um universo heterogêneo de corpos.”

Desenho do modelista Roberto Marques. Crédito: Arquivo Pessoal.

De todo o processo, o momento em que a roupa fica pronta é o mais gratificante para os modelistas. “O interessante é você ver o resultado. Os modelistas não devem ficar só nos bastidores, eles têm que opinar nas criações. Muitas vezes os estilistas não sabem o que é possível ser feito. Criam coisas inviáveis. O bom modelista tem que ser escutado”, defende Roberto. Para o professor de modelagem e coordenador de moda da Unidade Senac Lapa Faustolo, Marcelo Pedrozo, por trás de um grande estilista há sempre um bom modelista. “É preciso ter um profissional em quem podemos confiar, que entenda o trabalho que tem que ser feito e a maneira como o estilista gosta de trabalhar e o perfil da marca.”


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Onde nasce a moda? Na rua ou na cabeça do estilista? E quem põe a mão na massa é só o modelista? Para responder a estas e outras questões, preparamos uma série de reportagens sobre diversos cursos de moda com tudo o que você quer e precisa saber para entrar definitivamente neste mundo. A partir de fevereiro, o Desafio da Moda 2010 vai transformar peças e acessórios de um guarda-roupa em looks superatuais. Aguarde!

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