Um dos marcos na moda da década de 1980 foi o aparecimento de estilistas nipônicos que surpreenderam o mundo com seus novos conceitos e coleções de roupas totalmente inesperadas. Foram eles Rei Kawabuko, Yohji Yamamoto e Issey Miyake. "Eles mudaram os conceitos sobre o modo de se vestir trazendo formas esculturais e arquitetônicas para as peças", diz José Luis de Andrade, professor de Design de Moda do Senac-SP. Suas propostas eram tipicamente japonesas, com roupas de tecidos naturais tingidos com ervas, cores neutras, como preto, cinza e tons de terra, repletas de valores ancestrais e ecológicos. No verão de 1983, esses estilistas fizeram os fashionistas em todo o mundo suar frio, encherem-se de perplexidade ou de entusiasmo. Eles afirmaram um estilo que mudava totalmente o consenso em vigor, o da mulher fatal, com laquê, ombros acentuados e saltos altos. Algumas peças faziam referência ao fim do mundo, Hiroshima e à influência do movimento punk, com saltos baixos, ausência de maquiagem, pudor e reserva.

Estudou filosofia, arte e literatura, formação determinante para a proposta conceitual de suas peças. As roupas apresentadas na primeira coleção de sua grife, em 1981, desafiavam todas as convenções pelo tratamento dos volumes e das proporções, que ganharam um novo equilíbrio, pela presença de comprimentos irregulares e pelas superposições assimétricas. O uso do preto, cor não muito popular à época, se impôs em definitivo no dia-a-dia. As construções da estilista são esculturais, voltando-se mais para a estrutura do que para a superfície.
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| Desfile da estilista: uso do preto e de modelagens volumosas. |